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A 27 de Novembro de 2005, o jornal Público apresentou, juntamente com a sua edição de domingo, o caderno Profissão Cientista: Retrato de uma geração em trânsito. O trabalho desenvolvido pela equipa da Viver a Ciência destacou o retrato de 14 jovens cientistas portugueses em início de carreira (até aos 40 anos), tendo sido distribuído gratuitamente pelo diário, numa escala de tiragem na ordem dos 80 mil exemplares.

O Profissão: Cientista surgiu da vontade dos cientistas comunicarem o que fazem, indo para além dos seus Laboratórios e Institutos. Nele revelam-se trabalhos de grande genialidade, mas pouco conhecidos do público em geral. Trabalhos com impacto no nosso dia-a-dia e trabalhos muito promissores, que geram grandes expectativas futuras. Por todas estas razões e mais algumas, colocam Portugal no mapa de uma ciência competitiva e de qualidade, a qual não deixa, nem poderá deixar de ser, cada vez mais internacional. Os cientistas - os homens e mulheres desta geração que está, por natureza em trânsito – estão cá, por vezes lá, saltitando entre laboratórios, projectos, temas e bolsas. São pessoas comuns, curiosas, interessantes e interessadas, viajadas, lutadoras, que acreditam e trabalham.
As temáticas vão desde a conservação da natureza à evolução do Universo e aos mecanismos da memória. Das moscas “telecomandadas” à utilização da matemática na luta contra doenças infecciosas, passando pela explicação para o facto de Vénus girar “ao contrário". Fala-se das partículas mais elementares que “surfam” o plasma, dos embriões de galinha que nos ensinam sobre o nosso próprio desenvolvimento, dos segredos da divisão celular e da evolução genética oculta nos padrões das asas das borboletas.

Prefácio in Profissão: Cientista - retratos de uma geração em trânsito
Carlos Fiolhais


Os grandes avanços da ciência são, em geral, feitos por jovens.
Em 1905, há cem anos, o jovem Einstein – tinha apenas 26 anos – mudava as nossas ideias sobre a natureza da luz, sobre a constituição do mundo, sobre as propriedades do espaço e do tempo e ainda sobre a natureza da matéria e da energia. Foi um vendaval de ideias revolucionárias que a experiência veio confirmar! Mas, tendo em jovem sido o pai da teoria quântica, Einstein viria a distanciar-se dela. Foi ultrapassado por novos jovens: em 1925, um pequeno grupo onde pontificavam Heisenberg, com 24 anos, e Schröedinger, com 28 anos, estabeleceu a Física Quântica que tem vindo a descrever correctamente o mundo atómico e que nos trouxe, entre outros, o computador e a Internet. Fizeram-no “subindo aos ombros” de Bohr, nessa altura com 40 anos, mas que tinha proposto o seu modelo do átomo com apenas 28 anos. Bohr propôs a alguns dos seus alunos que tentassem compreender o que era a vida. Foi a origem da Biologia Molecular, que logo se revelou uma nova fronteira da ciência e que veio mudar as nossas vidas. Crick tinha 37 anos em 1953 quando identificou a estrutura molecular do DNA, juntamente com o seu amigo Watson, então com 25 anos. Não é só na Física, na Química e na Biologia que ser jovem é um trunfo: também o é em Matemática. Em 1993, Wiles, então com 40 anos, anunciou que tinha demonstrado o famosíssimo “último teorema de Fermat”. Foi por pouco que não ganhou a medalha Fields, a maior distinção em Matemática, dada apenas a matemáticos com menos de 40... Os jovens são, na ciência, uma inesgotável fonte de criatividade.
São eles os autores de novas ideias e feitores de novas obras, os permanentes construtores do futuro. Em todo o mundo e também, obviamente, entre nós. A jovem “Associação Viver a Ciência” (com apenas um ano mas a quem se augura um longo e brilhante futuro) fez por isso muito bem em ter escolhido catorze jovens cientistas portugueses para apresentar o que de melhor, de mais criativo e inovador, se faz na ciência portuguesa. Trata-se apenas de alguns exemplos porque vários outros, nas disciplinas escolhidas ou noutras, poderiam ter surgido. O principal recurso de um país em busca do desenvolvimento é a sua massa cinzenta. Felizmente, como mostra este caderno, isso não nos falta. Falta-nos acarinhá-la mais. Temos de dar a estes e a outros jovens as oportunidades e os meios que eles claramente merecem. Nos dias de hoje, em que a riqueza provém do conhecimento, incentivar e apoiar a profissão de cientista é uma obrigação nacional. A ciência poderá ser cara, mas a ausência de ciência é muito mais cara. Atrasar ou interromper o caminho que estes jovens estão a traçar significaria atrasar ou interromper o futuro. Eles estão em trânsito – e nós com eles – em direcção ao futuro.

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